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PROCESSOS

A pesquisa de Iná parte da tecelagem como gesto inaugural, prática ancestral que atravessa tempos, corpos e territórios, instaurando continuidades e deslocamentos. O fio, em sua obra, não se reduz à matéria: é portador de memória e presença, operando como campo expandido de significação. Ao assumir o processo manual como escolha estética e política, a artista desloca o fazer do âmbito do ofício para afirmar-se enquanto gesto poético.

Especializada em macromacramê, tear de moldura e técnicas mistas, Iná recorre a fibras e texturas naturais que evocam a organicidade da natureza e instauram espaços de contemplação e aconchego. Cada tapeçaria, concebida sem máquinas ou ferramentas mecânicas, afirma-se como peça autoral e exclusiva, inscrevendo-se numa linhagem de saberes tradicionais ao mesmo tempo em que projeta novas possibilidades de leitura e experiência do têxtil.

Em seu processo, tecer não é apenas construir superfícies, mas criar campos relacionais em que o corpo participa integralmente do mergulho ao transbordamento criativo. Cada trama é permanência e reinvenção: preserva a memória do gesto ancestral e, ao mesmo tempo, ativa vínculos entre obra, artista e espectador.

Ao valorizar a tecelagem manual, Iná propõe um território vivo, capaz de traduzir estados emocionais, registrar narrativas e reconectar o olhar ao tempo lento da criação. Suas obras insistem em habitar o cotidiano com delicadeza e força, convocando-nos a reconhecer a potência simbólica, estética e afetiva de cada fio entrelaçado.

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